
Tenho muitas moradas
Em minha casa.
Em cada canto, uma recordação
De cristalina claridade.
Dentro da casa vivem estações,
Sob o ladrilho das palavras.
O jardim é da primavera.
Ali as folhas sussurram,
Espalham-se equivocando a realidade.
Aceitamos as coisas como vêem.
O outono das salas
Pesam e dizem mais do que dizem.
São doces recordações dos filhos,
Os desenhos rabiscados,
Ondulando pensamentos.
O verão saindo das panelas,
O espírito aventureiro dos temperos,
Capaz de viajar o mundo
Através dos pratos exóticos,
Do lenço na cabeça
Respirando o calor dos aromas.
Incendiamos.
O inverno caminha lentamente à noite
Para a cama, no quarto.
A memória se reserva
A uma existência de lembranças
Antes de dormir.
Contendas, desamor, sofrimento,
Tudo acaba onde o amor acontece
Para tecer as estações da casa.
2 comentários:
Talvez não tenha nada a ver ou talvez tenha:
...se o céu está um pouco mais negro que o costume é sinal que as bacantes estão activas e que deves aproveitar as suas energias para que as rimas se acertem...
MM
Beijinhos e que saibas que os teus poemas nunca acabam. Sabe sempre bem voltar a eles!
Volte mesmo sabendo que eu não te dou o tempo que mereces.
Gostaria de me duplicar para estar mais com meus amigos.
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