quinta-feira, 3 de maio de 2007

Instantes

RacheL D.Moraes fotografada por Derly Barroso

Sou a luz que reluz
De teu olhar.

Busco-te e penetro
Nestes olhos de abismo,
Quando me transpassa
Com fios de ouro
Que cintilam em mim,
Fazendo-me inquieta.


Entrego-me a ti
E em transe,
Vou por esse caminho
Estranho
Que teimas conduzir-me. 


Fio-me
Nessas gotas de luz
Que faíscam de ti
Marcando o meu destino.

Sei que nunca me bastam
E tento segurar esses instantes,
Que querem fugir de mim.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Menos que a Morte

Pintura de Jorids Web

Sou um estrangeiro em mim.
Torno a voltar num país de sonho,
De luz e de infância
Perdido num vendaval de espumas.


Aquela voz que chamava
Já não existe mais,
Mudou-se para o desconhecido.
Estou só num mundo de lembranças
Que brotam como erva-daninha,
Sempre e sempre.


Estou quieto numa morna solidão de tédio
E minha esperança é essa voz
Que ecoa sem se importar com nada.

Vem me falar ainda uma vez.
Acalma-me neste país de solidão.
Traga-me um sopro de alento
Que morro de estar vivo.


Nesse insondável mistério de você
Que de tão perto se faz tão distante,

Que se mantém escondida de mim,
Num lugar de sonho.

Pare de mostrar-me a todo instante,

Que é preciso menos que a morte
Para me fazer morrer.


(Ganhou o Concurso de Poesia da Proibido Proibir)

O Farol

Rachel D.Moraes fotografada por Ivo Shikida

Transitório e indefinido
É o foco de luz do farol.
Meu barco vaga esquecido
Na cadência das ondas
Escuras e constantes.

Afogo um pranto
De suplício e saudade,
No mais fundo
Deste mar revolto.

Quantas vezes
Deixei-me entorpecer
Pelo mormaço de ar morno
Que penetrava
Pela janela do passado.

Procuro uma serenidade distante,
Envolta em nuvens brancas.

Os peixes consoladores
Brilham escamas
Sinalizando um caminho
Que sigo,
Noite adentro...

Fronteira

Rachel D.Moraes fotografada por Léa Waidergorn


Dentro da zona do vácuo
Espio em torno.
Olho as vidas que passam,
Zumbindo um sem fim de sim.
Retorno para respirar uma luz de sono
Deitando-me nessa borda escura e sem fim.

O sol vai longe lá fora;
Fica o silêncio,
O segredo grudado em meu corpo
Feito de matéria viva,
Que me leva a velocidade da luz,
Nos limites da relatividade.

Incandesço em vontades e durmo
Na cabeceira desse poço de sombras,
Que me chama para conhecer
O segredo da vida.

Envolve-me em fios noturnos.
Estou lá e aqui, na macia atmosfera
Desse contorno manso.

Ele, em êxtase, me vigia
Atando-me em seus fios da noite.
Quase sinto a realidade que me contempla
Na beira desse mundo inverso.

Enfim te avisto.
Teu reflexo é transporte
Para uma quase chama
Que aponta no meio da imensidão,
Para um portal sagrado e sem retorno

Do eu em ti e tu em mim.

O que Cintila em Mim

Rachel D.Moraes fotografada Nobuo Miyaoka


Tu que colhe o que cintila em mim,

faz explodir meu coração,

que ainda que fugaz, repousa em ti.