quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Fonte


 Tela de Victor Bregeda


Descobri em mim a pedra suspensa,
Aquela que fechava a fonte,
E escurecia a água dos mistérios.

Mostrei ao deus das águas o meu centro,
E as entranhas de sangue,
Para invocar os milagres da noite.

As veias se dilataram em tremor de espanto,
E peixes se davam em alimento.
Engoli todas as moedas 
Dos pedidos dos amantes.

Consagrada à abertura abismal,
A língua bifurcada de serpente,
Seguia arrebatada dentro da boca.
Escamas pontiagudas
Ocultavam desejos suplicantes.

Dentro do poço, as cintilações vibravam.
Gingavam absolutas na dança
De satisfazer vontades ocultas.
E no meio da noite,
Abriam-se, trazendo o mar na fonte.

10 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Muito lindo e profundo poema, parabéns poetisa.Beijos

rosadocairoshannyalacerda disse...

Simplesmente: sem comentários! A palavra desce ao fundo de uma poética cancerígena, daquela que toma todos os poros e mata o indivíduo de pensar, imaginar, sentir...

O encanto do sentir, eis a verdade latente. Parabéns.

Iván Silvero disse...

Está muy lindo, me gusta mucho.

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Rachel. Não trocamos há meses, mas é sempre bom vir aqui e acompanhar o se talentoso tabalho.
Poema forte, característica sua envolto à mistério.
Muito bonito.
Tenha um domingo lindo de paz!
Um beijo na alma!

Maria Teresa Fheliz Benedito disse...

Olá!
Lindo e profundo o poema.
Gostei de tudo por aqui, sua maneira de poetizar é gostosa de ler,é gostosa de declamar, amei por demais.
Um abraço e feliz inspiração sempre.

urbanascidades disse...

Urbanascidades e Urbanasvariedades juntam os blocos para pular o Carnaval. Hoje a poesia de Lídia la Escriba. Quer música, amanhã ouça Bob Dylan. Na segunda de carnaval conheça o carnaval de 1927 em Porto Alegre. Na terça, o desfile é por conta de um passeio de 10 dias de trem pela Suiça. E na quarta-feira de cinzas os vencedores... do Oscar desde 1929.

urbanascidades disse...

Urbanascidades convida voce e seus leitores para o seu 2° aniversário dia 21 de março. Sarau cultural com música, literatura e poesia, e convidados muito especiais. Não perca!
Um abraço,
Paulo Bettanin

Nilson Barcelli disse...

És uma fonte poética. Muito cristalina...
Este poema é magnífico.
Beijos, querida amiga.
Nilson

Maria Ponte disse...

São fabulosos os seus poemas. É muito bom passar por aqui.Abraços

Anna Amorim disse...

Doce Rachel,

Da origem, da mulher, do desejo...

Sem palavras além desta fonte.

Beijos mágicos,

Anna Amorim