Tela de Odd Nerdrum Tu que colhe o que cintila em mim, Faz explodir meu coração, Que ainda que fugaz, Repousa em ti.
Tela de Odd Nerdrum
Fotografia Lee Friedlander
Que gosto é esse que fica em minha boca
Quando sei de tua intimidade?
Que prazer é esse que me sacode inteira
Quando sou sugada por sua boca quente?
Vou em êxtase para o fundo de tua cama.
Abro minhas portas para recebê-lo
Entrego-me até desfibrilar meu coração.
É nesse céu de nuvens que me encontro,
Num remanso calmo que torna tempestade.
Chove em minhas coxas uma água salgada.
Roças seu dorso liso em meu ventre afoito
E sou consumida desmaiando em ti,
Toda iluminada.
(Desconheço o autor)Concha úmida de contornos ondulados,
Acolhe oceano em dobras de êxtase pleno,
Trás para si um mar de emoções.
Faz com que instantes de amor e entrega
Comecem a tramar destino.
A intimidade dos sentidos tece
Uma vida espessa no oceano.
Contrações explodem em ondas
Atormentando a vida que dorme.
Ela vaga invisível num barco oculto,
Num mar sem margens, numa orla de dor.
Instinto migratório que busca vida terrena.
Sopro divino, espiral eterno,
Fenda de luz mostrando-se ao barco.
Transporta vontades, move mãe oceânica
Prepara a passagem final ao porto.
Travessia de entrega, redonda, quente,
Quase palpável e sempre eterna!
Tela de Jim Warren
Vem, Lua das minhas delícias!
Meu grito flutua na boca desse céu
Sem limites.
Meu coração bate apressado
Maquinado pela força dominadora
De meu gozo oceânico.
Essa sensação urgente de maré cheia,
Que vai se espalhando,
Pelos terminais de dois corpos
Caminha sob ondas tensas,
Para uma praia escaldante.
Flutuamos sob ondas de espumas.
Perdidos na tormenta das delícias.
Lençóis de algas embaraçam
Nossas vidas,
Numa dança tempestiva de carícias.
Sobrevivemos nessa ancoragem louca,
A essa Lua implacável de delicias,
Que fica escondida bem no fundo,
No horizonte perdido de uma concha.
Tela de André Toma
O medo que tenho
É de nunca me apagar,
Medo do começo,
De nunca poder parar.
Medo da chegada hostil,
Da flor que evapora.
Do perfume que fica
E que não vai embora.
O medo que tenho
É da lembrança infinda,
É de estar para sempre
Como alma perdida.
Desenho de Toshi Yoshida
(Desconheço o Autor)
Fui para você, não uma taça,
Mas um rio inteiro
Transbordando de amor.
Quantas vezes fugi para os seus braços,
No meio da noite e bebi desse vinho doce.
Fundíamos um ao outro,
Até eu me sentir dilacerada pelo prazer
Arrancado de meu ventre.
Até estar quase morta, mas saciada.
Quantas vezes mais exalaríamos
Esse perfume de terra fresca,
Como um campo de trigo ceifado?
Ainda sou tentada para estar contigo,
Nessa combinação de amantes,
De vinho e licor próprio.
O mesmo prazer filtrado entre as coxas
Bebido hoje em minuciosa taça
Esculpida com nosso romance.