segunda-feira, 10 de março de 2008

Langor

Tela de Egon Schiele


Como foi que não me viu.
Não estava eu aqui!
Volte, metáfora de minha ventura.
Que meus dias se perdem sem ti.

Um arauto chegou bradando voz.
“Alguém desliza em carne viva”.
Volto aos lençóis onde há loucura.
Realizo o ritual em opressivo silêncio.

Langor...
Pele abrasada e trêmula,
Queima no vértice de minhas coxas.
Acolho os suspiros abafados,
Que tateiam um gingado desconexo.

Ecos noturnos gemem nas carícias.
Resvalam num imponderável grito.
É minha balada libertina,
Buscando-te num mapa horizontal.

4 comentários:

Leninha disse...

Amo poemas assim que vivem...
se encostar queimam...
não os deixe guardados ai dentro minha linda...jogue-os pra rua...pra fora...pro sol...pro mar...pra os sonhos...
deixe que venham...
não os guarde...
você escreve muito bem linda.

carinhos da amiga Leninha.

Nagot disse...

Que poema lindo Rachel, não sabia desse seu dom oculto! Pode apostar que vc ganhou mais um fã acompanhando sua obra!

bjus e meus parabens!

Manuel Marques disse...

Doce Rachel, em grande forma! Fazia muito tempo que não visitava o teu blogue delicioso, charmoso e acima de tudo de enorme qualidade literária! Ah e claro essa imagem, essas palavras de erótica vontade, lânguida necessidade, em ardor e despudores absolutos, encantaram-me! Mas digo-o sem nunca me cansar de o dizer... és uma verdadeira estrela no firmamemnto dos poetas que habitam no meu mundo! E sabes bem que o que não faltam por aí são blogues que não passam de verdadeiras Feiras das Vaidades! És, por isso uma migalhinha importante no mundo da poesia, mas, felizmente é apenas uma das tuas qualidades enquanto artista de corpo inteiro! Fabulástico sempre!!!

arterapiaanamaria disse...

Ainda bem que é um mapa horizontal...kkk
Essa é a verdadeira DoceRachel...
Parabéns, minha linda!
Beijos.