terça-feira, 6 de maio de 2008

Mãe

Tela de Gustav Klimt


Quando eu ainda não era,
Tu estavas ao meu redor.
Flutuava em águas mornas
Sentindo-te tecer meu existir.

Mergulhavas-me num remanso
De pétalas inocentes.
Mãos de conchinha a tocar-te,
Ansiando novelo de lã do abraço.

Sonhávamos tu e eu,
Botão de rosa a nascer.
Acomodavas teu ventre
No regaço de ternura,
Quando me alongava da ventura
De te ter perto de mim.

Um comentário:

Manuel Marques disse...

Que doçura tranquila, de um tempo que apenas nos atrevemos a pensar. Tu que também és Mãe, Mulher, tens igualmente esse dom de imaginar um poema com esta magnitude, eu aqui nao chego, nenhum homem pode chegar! Que maravilha!!! Parabéns!