sábado, 26 de abril de 2008

Escalacrada

Tela de Salvador Dali


Paralelos que se encontram no infinito,
Sofrem desvios,
Chocam-se no tempo.

Arabescos interceptam linhas
Na solenidade do traçado.

É quase nada
Essa força que empurra.
Incômoda e insidiosa,
Surgindo de um universo deslocado,
Como uma energia pesada,
Brotando da consciência.

Meu corpo
Vibra com pensamentos.
Grita sons imaginários
Da idéia dissonante
De fantasia sufocada.

Vergo ao peso
Que a amargura trás
Ao arrastar o tempo.

Retrocedo e sou levada pelos ventos.
No turbilhão das disputas,
Finjo dormir
Para não ser achada.

Escalacrada sob os paralelos,
Na escuridão mais profunda,
Eis minha única certeza:
Sou só e nada é meu.
Termino meu passo,
Antes de conhecer o seu!



Um comentário:

Manuel Marques disse...

Há tanto tempo que nao vinha aqui que é como redescobrir um recanto pleno de fantasia, mas também de poemas densos, quase negros. Fascinante como sempre! Beijinhos!