sábado, 24 de maio de 2008

O Festim

Tela de Zdzislaw Beksinski


Cubistas realistas
Penetram entranhas,
Invadem veias, células,
Transmutam matéria palpitante.

Intensa cor de cidade morta,
Dilacera entranhas,
Consome o verde escondido
Que oferece meu coração jovem.

Capturador de almas
Irrompe carnificina,
Draga flores do meu jardim.
Meu sacrifício é inútil
Nesta guerra devastadora.

Traço trincheiras,
Faço ressurgir corpos imolados
Numa dança macabra.
O espírito sublime surge
Procurando sua própria sombra.

Eu, missionária de mim mesma,
Nesse festim diabólico
Danço na plataforma
Da geração perdida
A canção da vida perigosa.

Sou uma torrente,
Girando num sapateado louco,
Grito aos quatro ventos:
Quem mata
Não participa do banquete.

3 comentários:

Menina do Rio disse...

Na cor da cidade morta, o verde se esconde entre as trincheiras á procura de uma fagulha de vida...

Não conhecia teu blog; tu não falas nada...

Um beijo imenso!

O que Cintila em Mim disse...

Volte com o clarão da lua vaga.

Manuel Marques disse...

Uma réstea de esperança num mundo quase sempre perdido, com a esperança incrustrada no meio do cinzento das almas penadas.

É mais, é muito mais, que sei que é preferível a vida, ao sacrifício que todos tenderao um dia a esquecer e talvez mesmo a censurar! Beijinhos!