domingo, 5 de abril de 2009

Abraçada ao Vento

Tela de Mira Schendel



Naquele dia
O vento fustigava
Trazendo um ar de noite.

Foi jogado fora
O que se temia.
Amarrou-se num saco
Toda a intimidade,
Cuidando para não haver contágio.

Não suportando
A sequência dos gritos,
Deu a ordem para mudar
À vontade dos elementos.

Sua vergonha
Ficou dependurada nos olhos.
Gotas caiam
Atravessando o cerrado dos dentes.

Afundou as facas
Projetadas dos seus dedos
Em minha garganta.
Quebrou as unhas todas,
Até o pálido do olhar
Cair no avesso do amor.

Desperdiçou-se em minha
Excentricidade
E não podendo mais fugir de mim,
Atravessou novamente a rua
Abraçada ao vento.

2 comentários:

Lice Soares disse...

Parabéns, gostei.
Visite-me:
http://otelicesoares.blogspot.com
Abraços.

Anônimo disse...
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