domingo, 19 de abril de 2009

Naufrago

Tela de André Toma



O naufrago tem um tempo alongado,

Constrói um lugar invisível.

Estrutura tentativas,

Teatraliza um drama,

Instala-se no centro,

Domina a instabilidade,

Desabando sobre si mesmo.


O horizonte trás o êxtase

Que se dissolve na praia.

É a promessa vazia de cada dia.


Sua liturgia exausta o inalcançável lugar

De onde veio,

Para oferecer-se numa ilha dentro dele.

Um comentário:

Dolores Quintão Jardim disse...

Somos todos um pouco naufrágos de nós mesmos!