Tela de Dina Valls domingo, 13 de dezembro de 2009
Voo
Tela de Dina Valls sábado, 12 de dezembro de 2009
Escrevendo
(Desconheço o autor)Escrevo para me resgatar
Da escuridão, da solidão mortífera.
Estanco na fronteira selvagem
De minha consciência
Tentando escapar da obscuridade.
Estou exilada na realidade comum,
Encerrada no silêncio de minha existência.
Aprendo o habito de separar instantes.
Concentro-me em reconhecer sinais de felicidade,
Eles escondem-se nas dobras invisíveis,
Por isso vivo o fervor de todas as coisas.
Escrevo para me comprometer comigo,
Para sentir a volúpia que de mim exala,
Para deslizar dentro de outras vidas
E seguir nessa busca pelo futuro vago.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Travessia
Segue desvairado em abismos.
Desconhecido mar sanguinolento
Busca passagem no contorno final da saída.
Redemoinho de dobras quentes
Expulsa nave rubra em dor atômica.
Pela intimidade dos sentidos.
Em contrações e gritos
Explodem faíscas radiantes,
Mostrando a claridade que habita.
Projétil que respira e pulsa,
Pedaço de vida infinita,
Navega no barco das almas,
Num desconhecido destino.
Instinto migratório buscando vida terrena,
Sopro divino em espiral eterno,
Fenda de luz mostrando vontades,
Ranhura difusa prepara passagem.
Túnel final de desembarque,
Sopro vivo, sussurros de ondas
Recebido em êxtase pleno
Nos braços da nave-mãe oceânica.
Rumo
Tela de Marla Olmstead
Encontrar um rumo,
Articular sua perplexidade
Frente à imagem confusa
Que se instala na retina
Dói.
Descobrir o caminho,
Ultrapassar as palavras
Que podem te dizer algo
Que determine tudo
Dói.
Fazer o coração falar,
Confessar assombros
Do mundo tangível,
Impregnar-se da febre do outro
Dói mais.
sábado, 26 de setembro de 2009
Caverna do Homem
Tela de Odd Nerdrum quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Iluminada
Fotografia Lee Friedlander
Que gosto é esse que fica em minha boca
Quando sei de tua intimidade?
Que prazer é esse que me sacode inteira
Quando sou sugada por sua boca quente?
Vou em êxtase para o fundo de tua cama.
Abro minhas portas para recebê-lo
Entrego-me até desfibrilar meu coração.
É nesse céu de nuvens que me encontro,
Num remanso calmo que torna tempestade.
Chove em minhas coxas uma água salgada.
Roças seu dorso liso em meu ventre afoito
E sou consumida desmaiando em ti,
Toda iluminada.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Viagem
(Desconheço o autor)Concha úmida de contornos ondulados,
Acolhe oceano em dobras de êxtase pleno,
Trás para si um mar de emoções.
Faz com que instantes de amor e entrega
Comecem a tramar destino.
A intimidade dos sentidos tece
Uma vida espessa no oceano.
Contrações explodem em ondas
Atormentando a vida que dorme.
Ela vaga invisível num barco oculto,
Num mar sem margens, numa orla de dor.
Instinto migratório que busca vida terrena.
Sopro divino, espiral eterno,
Fenda de luz mostrando-se ao barco.
Transporta vontades, move mãe oceânica
Prepara a passagem final ao porto.
Travessia de entrega, redonda, quente,
Quase palpável e sempre eterna!
