domingo, 28 de fevereiro de 2010

Semente

Tela de Jeremy Lipking


(Ganhou o 89 concurso de poesia da PP.)

Podia te descrever
Como algo que dobra,
Não fosse esse desdobrar de galho solto.

Adivinho as flores rosadas
Soltas, trazendo um sinal orvalhado.
Minha mão cega, em sua pétala febril
Emoldura a dor num paspatur.

Louvo seu perfume de semente tenra
Tragando sua seiva almiscarada.
Cintura insensata que agoniza,
Concilia o impossível no tumulto dos dedos.

Quantos gemidos na palma da mão guardei,
No desdobrar do galho exausto.

Rachel D.Moraes

5 comentários:

Boreau disse...

orgásmico

Fada do Mar Suave disse...

Doce e sensível poesia! Tudo aqui um primor. Um lugar prazeroso de ficar. Parabéns!

Paulo disse...

Olá Rachel!

Vibrante, Crescente, Cintilante... Como tudo por aqui!

Abços!

Dalva Abrahão disse...

Amo o que você escreve e descreve.
Bjos doces!

Antonio disse...

Parabéns
Descobri, ao ler o teu poema,
Que a palma esquerda da minha mão,
Tem mais gemidos escondidos.

Procurei uma razão.
Porque será?
O que diferencia as minhas mãos?

Revelaram-me assim:
Nem tudo em nós é simetria
Somos esquerda, somos direita
Assimétricos e a esquerda é o lado do coração.

Beijos querida amiga
(Tozé)