domingo, 21 de setembro de 2008

Outono

Tela de Pierre Bonnard



Quando a chuva de outono

Respingar em minha janela

Estarei te esperando.


A música soará intensamente

Das cordas de meu coração.

O vento há de dançar

Por nossa alegria.


Tochas serão acesas

Iluminando nosso jardim.

Flores exalarão perfumes,

Muito além, do que se pode sentir.


Seremos arrebatados pela relva fresca,

E ali mesmo, incrustados na terra

Exalando o que de mais antigo,

Tem os corpos.


Na confusão das emoções

Invadiremos um ao outro

Com nervos retesados.


Uma sinfonia tocará.

Galhos retorcidos se aquietarão

No cimo de meu corpo.

Glóbulos mornos de orvalho

Escorrerão no solo

Encharcando nossos pés entrelaçados.


Teremos o aroma doce das flores

E o inominável cheiro do amor.


Estaremos inertes

Na lassidão do esquecimento

Abandonados ao suspirar

Do fim da noite.


Ali, no segundo estreito

De meu olhar no seu,

Nada será como era,

Tudo será mais.

3 comentários:

Leninha disse...

Porque é que temos que estar sempre esperando...que droga!!! rsrs
Belissimo Querida...lindo lindo!
beijo

Manuel Marques disse...

Entranha-se no corpos dos amantes o inolvidável cheiro da natureza, na estação que ontem principiou no Hemisfério Norte (sim aqui estamos no Outono)... e o entrelaçar de olhares... hmmm... almas em perfeita sintonia de amor!!!

Anônimo disse...

Lindo! Profundo! Genial! Eu quero é mais!!! Esta é a Rachel que eu amo e admiro! Bravo!!! Adonize