quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Escuridão

Tela de Odd Nerdrum



Não há lua.

Um negrume denso, espesso

Brota da silhueta incorporada

Na noite.


Espero os passos incertos

Irem para o vazio estreito

Do silêncio.


O sangue alerta,

Dois olhos espreitam o frio.

Batidas cardíacas ressoam.


Uma dor de fenda, num espiral começa

Quebrando o circulo agonizante do medo.

Cada um rompendo o lado que habita.


Segue, cada um,

Para o lado oposto do encontro

Deixando emanações

E pulsações

Onde tudo se deu.


O afastamento é o escape

Frente à agonia do desconhecido,

Por medo dos clamores que a carne têm.

Por medo desse encontro torpe,

Que na escuridão da vida

Atravessa nosso caminho.

2 comentários:

Leila Silva disse...

Rachel,

Muito obrigada por sua visita...

Abraços
Leila

Manuel Marques disse...

Sempre em fuga poderia ser um sub-título para a minha vida adulta e no entanto há sempre estes espaços de bits e byts onde nos encontramos para um qualquer abraço poético que nos estimula a vontade de criar mais e mais sem que a visão obscura da noite negra e sem salvação tome de assalto a vontade de acabar com o corpo antes do tempo!

Para lá de inteligente tens uma sensibilidade literária formidável!

Parabéns, sempre e para sempre. E sempre que puder o voltarei a afirmar aos quatro ventos, mesmo que estes se transformem num furacão de grau 5!