segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Campo

 Tela de Oleg Ravdan


Há um silêncio instalado
Dentro da noite.
Das gargantas feridas
Apenas os gemidos abafados.

A verdade se esconde apavorada
E os tanques avançam no suplício
Desesperado dos homens.

Tudo é gangrena e morte.
As balas voam alojando-se
Nas perguntas pautadas.

Uma lenta agonia invade o campo
E a adaga corta cabeças.

Ferro retorcido extinguindo espécies.
Amanhã ainda verei esse delírio
Ceifando a felicidade.

Os corpos dançarão desequilibrados
Rumo as trevas.
Eu estarei sozinho no vazio,
Com meu lenço branco
Manchado de sangue.

14 comentários:

Vivian disse...

Olá!Bom dia!!

Lindo, mais profundamente triste...
O mais triste que é tão real...e tão comum...

Bela construção de versos.
Beijos!
Boa semana!

O que Cintila em Mim disse...

Essa realidade está cada vez mais perto de nós...

Paulo Roberto Wovst Leite disse...

Na cabeça do homem, aflição e coragem. Afastado da terra ele pensa na fera que o começa devorar...
"Zé Ramalho".
Abraços,
Paulo.

O que Cintila em Mim disse...

"Acho bem mais do que pedras na mão"

CAROLINA CAETANO disse...

Lembra-me em muito dos relatos de Anna Akhmátova sobre prisão e guerra e esses arredores.
Também, abaixo, o que é de amar lembra-me do que era de amar em Anna.
Ela costuma sempre me comover, como você também faz.

Um abraço.

Andressa disse...

Você escreveu isso? Eu adorei...
Uma mistura de Pessoa, Augusto dos Anjos e Poe. Dor e beleza.

Capitu disse...

Entre o silêncio e o delírio há um
turbilhão de emoçoes..não explícitos,
tampouco aniquiliados.

Abraços ..

Wolber Campos disse...

Oi Rachel! Tudo bem?

Que texto! Forte e reflexivo.

Curioso, ultimamente vinha pensando muito nas insanidades que deviam ser as batalhas num campo de guerra e hoje leio seu poema.

A humanidade se desviou tantas vezes do caminho, e cada vez que sai da evolução moral / espiritual, acaba entrando nessas atrocidades.

E nós vamos empurrados nessa roda viva.

Um abraço!

O que Cintila em Mim disse...

O homem está cego pelo poder, poucos são os de espírito, os que conseguem ver a luz no meio da escuridão.

Assis Freitas disse...

um campo devastado como nas imagens de um apocalipse now


abs

O que Cintila em Mim disse...

Até chego a querer uma relação com a tradição que seja classicizante, que você sinta que a tradição esteja próxima, que esteja interna, dentro de mim: Que Anna Akhmátova, Pessoa, Augusto de Anjos e Edgar Alan Poe seja eu, que está descendo em mim como um cavalo desce no candomblé.

Nadji disse...

Un texte beau malgré une traduction passée par Google.
Bravo!
A très bientôt.

O que Cintila em Mim disse...

Nadji google vivent dans cette heure de notre poésie.
Merci

San Melo disse...

"O que torna um texto belo nao é a felicidade com que traz as suas palavras...mas os pensamentos que desperta em seus apreciadores."
Parabéns pelo Blog, acaba de ganhar uma nova seguidora..espero que eu tbm. bjs