domingo, 15 de maio de 2011

A Letra

 Ilustração de Elsa Brondo


A letra me alerta.
Abro cada palavra
Com faca de ponta.
Afino o som com golpes
Até chegar nos ossos.

Não encontro leveza nas palavras,
Mas restos carcomidos de tinta seca.
Decupagem de pedaços recortados
De meus sentidos inexatos.

Furto velhos hábitos
Costurando um fio
De linha tinta de sangue,
Que exangue,
Um perfil desesperado.

Encontro palavras efêmeras,
Que renunciaram esperanças.
Raspo cada letra com cacos de vidro.

Enxergo mensagens ocultas
Que suspiram na folha cortada.
Escrevo novamente a dor,
Com letras de silêncio.

5 comentários:

Cristine Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristine Lima disse...

Olá Rachel,
Muito obrigda pela visita em meu blog e por estar me seguindo. Vim retribuir e também estou te seguindo.Seu blog é muito lindo e este post é maravilhoso de uma sensibilidade cativante...
Bjo

Colecionadora de Silêncios disse...

Olá, Rachel.

Que poema maravilhoso! Tão cheio de sentimentos que até senti a navalha de cada palavra ali posta.

Parabéns! Belíssimo!

Beijo grande.

Arnoldo Pimentel disse...

Muito lindo e profundo o poema, em cada palavra existe um mundo a ser descoberto.Beijos.

miGuel pesTana disse...

Linda esta poesia.

Costumo também escrever assim...
com as letras do silêncio.

Abraç