Tela de Anna Lea Merrett
Vinde a mim, oh amado do deserto!
Todos te esperam para imortalizá-lo,
Depois que ressuscitastes do silêncio do Egito.
Tuas canções foram escritas em hieróglifos
Para serem cantadas nas oferendas a Osíris.
Teus olhos de ônix foram banhados em sândalo,
E descansam na constelação de escorpião.
Teu palácio foi preparado com puro linho,
E os tapetes bordados com mil fios de lã.
Terrinas de manjares te esperam, servidas
Por virgens renascidas das águas do Nilo.
Em teu lugar de repouso, ao meu lado,
Florescem lírios do Vale,
E malvas foram regadas com o orvalho
Dos meus olhos.
Acerca-te de mim, oh rei dos Faraós!
Meus joelhos se dobram a tua passagem,
E minhas minúsculas sandálias tangem o teu chão.
É na esperança de tua origem que me valo.
Voltaremos ao tempo dos meus sonhos,
Onde tu eras o meu provedor
E eu te abria as minhas pétalas perfumadas.
Vem para estarmos num redemoinho flamejante,
Que desdobrará nossas almas num esplendor,
Que tombará aos nossos pés, assim que formos um.







