sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Vento

Tela de Donato Giancola



Hoje fui apossada

Pela magia difusa

De um vento sussurrante.


Falava-me sobre a brisa.

Dizia dos sopros lentos.

Contava-me da amplidão

Dos lugares ermos

E do encontro

De homens dispersos.


Falava-me de levantar o pó

Das coisas adormecidas,

De sua procura por frestas

E da possibilidade

De redemoinhos.


Tilintava sons desconhecidos

Para instintivamente

Assustar presságios.


Revirava nuvens

Formando figuras

Que traziam chuva.


Estremecia tudo

Ondulando em círculos,

Seres perdidos,

Que ansiaram encontrar-se.

Um comentário:

Manuel Marques disse...

...subindo a montanha até ao topo, para lá do mundo e das inertes sensações de abandono, simetrias, pureza de ideais, conjunto de poderes ambíguos e apenas se distingue a perfeição, vida paralela de felicidade!...

MM

Que os presságios sejam de inspiração sem limites para que ao expirares saiam maravilhas como este teu poema!

Beijinhos!