sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Prometida

Tela de Odd Nerdrun



Vem cobrir-me de pétalas,
Pois a noite já se dobra sobre mim.
Afasta o meu sono
E fale se é certo o que ouvi.

Diga do vinho que tomou,
Se era mesmo sangue?
Sim, quero saber tudo!
Do tremor das tamareiras
E das espadas reluzentes
Que sangraram sentinelas.

Diga sobre o deserto
E as cabeças descobertas.
Diga se é verdade
Que olhos pediam clemência
E ninguém os via?

Sonhei com o uivo da noite
Gritando piedade
E um rio de sangue
Que transbordava.

Relâmpagos de fogo
Desenham no céu um clamor.

Vem, cubra-me com sua pele fustigada.
Lamberei suas chagas para que se curem
E possas de novo ouvir.

Conte-me que não verei teu sangue
E de teu irmão manchar
Meu vestido
Engastado de lágrimas.

Vem dizer-me
Que há esperança
De ouvirmos a música de jubilo.

Estou insone
Nesta longa noite cega.
Aguardo que minha voz saia e grite:
“Prometida estou
E me encherei de gloria por todos !”

Um comentário:

Manuel Marques disse...

Gosto tanto de ler poemas assim como não gosto de os viver na realidade.

Dicotomias com as quais viverei para sempre dentro de mim!

Se algum dia alguém declamar este poema que o faça com a alma em êxtase, talvez um pouco de álcool a mais no sangue, mas tem que ser alterado por pouco que seja.

Parabéns!!! Bjs!