terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sepultura Invisível

 Tela de Marc Chagal


Conheci um longo dia de tristeza.
Ouvi duras palavras saírem de tua boca.
Fiquei amarrada sob um clima descoberto,
Abandonada as tempestades de sua voz.

Fui devorada pelas águas dos meus olhos
Numa longa noite sem lua.
Presa num deserto sem oásis,
Dormindo na garganta da serpente.

Sigo sozinha atrás das sombras
Que o sol deixa nas paredes.
Não conheço mais ninguém
Que se recorde de mim
Quando ainda tinha asas e voava.

Ajudei-te a construir Nínive
Com meu riso e suspirar,
Mas você veio com suas falsas profecias
E ela já não existe mais.

Enquanto eu mantinha
O infinito preso no horizonte.
Para que teu palácio
Perdurasse no mundo,
Você fazia sangue em meu corpo.

Esquecestes que fui sua música
E que sonhávamos o som das esferas.
Acreditei no que saia
Do movimento de tua boca,
Mas você me fez repousar
Numa sepultura invisível.

Agora estou me tornando silêncio
E volto a dormir no fio da vida
Para me tecer novamente.

Ao olharem para nós,
Ninguém saberá ao certo
Quem é quem,
Depois de te desenrolarem de mim.

3 comentários:

Antonio Carlos disse...

Oi Rachel minha querida, obrigado pela sua presença lá no blog!
Quando o amor é forte e acaba, nos sentimos mesmo presos a uma sepultura, invisíveis na dor, na lágrima e na palavra solta e impronunciável, bom mesmo é recomeçar e seguir.
Esta tela de Chagal é linda!
Deixo meu beijo.

O que Cintila em Mim disse...

Eu estava pensando no filme de Andrei Tarkovski - O Espelho.

Pra vc ver como é a poesia, cada um interpreta do seu jeito.

Obrigada

Márcio Ahimsa disse...

A poesia pode ser neo romântica, neo gótica, catedrática e filosófica... A poesia para mim é algo que emana do corpo, da essência de quem sente, de quem vê, de quem vive...

Aqui se vive poesia.

Beijo, querida.

Obrigado pela visita.