quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um Poente

 (desconheço o autor)


Queria te ter como uma sombra
Que passa sem deixar vestígios.
Que fosse só silêncio extremado,
Que não ondulasse sua ternura
Sem medida e sua voz de doçura.

Que deixasse o pó em paz
E as folhas soltas,
Ancoradas em meus dedos.

Que fosse apenas como
Um salgueiro quieto, sem ventar.
Estivesse apenas para existir
E resplandecesse para eu te olhar.

Que fosse música quando
Eu me despedaçasse no chão
Como vaso de cristal
E fosse silêncio enquanto
Eu derramasse palavras no papel.

Que não cantasse a minha volta
O seu bem querer agonizante,
E me mostrasse sua corda tensa
E corrompida pelos meus invernos.

Que atravessasse calmamente
Esse mar sem farol,
Enquanto minha noite
Delineasse um poente para nós.

5 comentários:

Moa Will disse...

Olá,
Tu falas de teus quereres como uma criança a almejar o seio materno, a criança não tem palavras, contudo se nutre por instinto. Já você, as utiliza apenas como instrumento de sua vontade contagiante e avassaladora.
Adorei o poema.
Abç

O que Cintila em Mim disse...

Moa obrigada por suas palavras tão intensas. Delas se poderia fazer outro poema.

rosadocairoshannyalacerda.blogspot.com disse...

por querer, queriria
quereria o amor dos barcos,
das estrelas que cintilam;
quereria o amor sóbrio,
íntimo e intenso regado
pela calma e pelo prazer
de estarmos sossegados, juntos.

parabéns, mais uma vez a inspiração bate a tua porta e você a deixa adentrar casa adentro, como uma lavagem poética pelos cantos de tuas poesias.

efa disse...

Holaaaa! Me cuesta entender algunas palabras, pero es muy buena lírica.
Me gusta seguirte en otro idioma.
Besos

Lete disse...

Linda!!
Aqui tudo é tão mágico como sua alma!

Te amo amiga!!!!!!