sexta-feira, 27 de março de 2009

Partida

Tela de Christopher Gallego


Não me olhou mais de frente,

Arrancou a pele velha,

Marcada pelas cerimônias.

Seu corpo flácido, envelhecido,

Agora buscava novas promessas.


Era a jornada

Fluindo para o fim das coisas,

Buscando o fulgor perdido

Em algum lugar do passado.


Eu o quis, mas não era humano.

Era um ser obsessivo e intemporal,

De coração cimentado,

Seco para as palavras de súplica.


Sua casa ficou vazia,

O sol fez secar as plantas da varanda.

Eu vi os defumadores sem incenso,

E a solidão levantando as cortinas.


O lugar virou cemitério,

Todos morreram

Com o coração perfurado.

Fiquei surda com o silêncio da rua.

2 comentários:

Ana Hime. disse...

Me acalma tanto ler seus poemas.

Dolores Quintão Jardim disse...

Seus poemas...são flores,deixadas pelos cantos da vida...perfumando os caminhos...