quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Muralha


Tela Wladimir Kush

Construí uma muralha
A minha volta,
Completamente talhada
Para guardar silêncios extremos.

Noturno lugar
De aparência antiga,
Lugar de sacrifícios e
De juventude desesperada.

Vivi no interior desta
Cidade de arcos,
Como uma mulher de fervor,
De cândida fala.

Agora vou suspensa pelo vento
E desvio dos espinhos
Que se formaram
Nas trepadeiras aladas.

Queimo minha loucura
Nos incensos de jasmim
E sinto minha vida
Se apartando, pouco a pouco num fim.

Vejo a treva na soleira da porta.
Uma luz tênue sai de minha cabeça e
Estrelas voam ao meu redor.
Ainda tenho a ilusão de felicidade.

Derramo-me sob os degraus da escada.
Diluo-me pelas frestas das pedras.
Vou caindo para fora das muralhas,
Muito antes de viver em mim.

Um comentário:

Curiosa disse...

que belo poema, este ...
gostei de todos os seus escritos, Rachel ... sinto-me lisonjeada em tê-la como seguidora. gostei do seu trabalho ... um abraço e um ótimo ano que chega, para vc e para os que lhe são queridos ..