terça-feira, 12 de junho de 2007

Olhar

Pintura de Josephine Wall

Descortino o universo
Sombrio e escondido.
Mostro por um instante,
Uma única visão crepuscular,
Àquela primeira,
Que o olho de Deus tocou.
Ele cede-me seu olhar
E eu apanho essa visão
De navegante conquistador.

Incrusto-me na abóbada celeste,
Que irradia um som lírico
Na trajetória dos cometas,
E em delírio, fundimo-nos,
Como aquarela no cosmo.

Derramo-me no firmamento
Em delírio supremo.
Pinto os astros de cores,
Esfumaçando os contornos,
Com sopro divino.

E por uma vontade desconhecida,
Retorno ao molecular
Desejo de ser humana.
Alastrando-me nas nuvens,
Sou envolvida pelo turbulento
Aconchego da civilização terrestre.

Acolhida como anjo caído,
Curvo-me nessa vontade,
Precipito-me a esse peso
Que hiberna no coração dos homens.
Dou-me a eles e compartilho
Minha existência cósmica.
Faço brilhar em mim sua faísca de sol.

Enquanto giro,
Arrasto o tempo e o espaço
E o meu redor é alterado
Pelas órbitas humanas.

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